Por: Janaina Barcelos
parto

Olá, pupilas!

Como havia prometido, aqui estou para contar da minha experiência na gravidez e minha visão…

Como descobri a gravidez

Pra começar eu descobri com 15 dias, brincando no carro com meu marido dizendo “eu acho que meus seios estão bem fartos e doloridos mais que o normal” ele não acreditou muito em minha brincadeira, mas eu insisti em passar na farmácia para comprar o teste de gravidez e como se não bastasse um, comprei dois para ter certeza, e ainda bem! No primeiro deu positivo meio apagado e tive que esperar umas quatro horas para fazer o outro (louca para saber se aquilo era um sonho ou realidade) e deu positivo sem muito tempo de espero do teste. Eu e meu marido fomos para o hospital sábado as dez da noite porque eu não ia dormir sem saber se o teste estava correto ou não. O resultado saiu meia noite e pronto, a partir dali acabaram minhas noites completas de sono (dá pra perceber que quase não sou ansiosa, NE?)

O primeiro trimestre

Os três primeiros meses foram bem agitados. Ainda estava estudando e pra ajudar, minha faculdade não tem estacionamento e subia uns quatro quarteirões de morros (a passos de tartaruga) chegava morta para às aulas. Passei muito mal com enjoos (que eram eternos e 24 horas por dia. P.s. Ninguém me contou que era assim. A gente sempre escuta falar ”grávida tem muito enjôo” Gente, grávida tem enjôo 24 horas por dia. Quando acorda, quando vai dormir, se acorda de madrugada ta enjoada e o pior é que além de estar enjoada a gente fica enjoada. O cheiro de tudo me incomodava e não queria comer carne mais(que sou apaixonada). Comia a cada 2h30min, vomitava tudo e comia de novo (nojento eu sei, mas é verdade e eu queria comer tudo e todos kk). Se passasse de 2h30min sem comer, vomitava de novo e ficava louca faltando comer o que tinha na mão ou a frente. Desde que descobri a gravidez eu não dormi mais, ansiosa se estava apertando a barriga, como ia ser minha vida, minha profissão, meus estudos que tinha que terminar, a ONG que deveria trabalhar, como iria concluir meus projetos, preocupada com a médica que ficava me dizendo que eu não devia devorar o mundo e eu só queria comer e comer e comer e ao segundo mês eu ganhei 2 kilos, mas o terceiro eu já ganhei 4,5kg pensei “ok, aos 9 meses eu serei também obesa kkkkkk”. Sem contar a visão que começou a piorar de forma brutal. Para ficar mais interessante eu comecei a esquecer tudo devido às noites mal dormidas.

Desejo

Se tive desejo? Sim, entrando no 4° mês de gestação, essa coisa que antes eu chamava de “frescura” deu em mim, paguei língua e você não imagina o que eu queria comer: Caldo de mandioca em pleno domingo no horário do culto. Me dava vontade de comer? Eu tinha que parar o mundo e comer alguma coisa, mas esse dia me deu vontade de comer o CALDO e somente o caldo. Quem disse que eu achava o tal do caldo as dez da noite de domingo. Não achei e parti para o supermercado porque nada que eu idealizava em minha mente como plano “b” servia e eu só pensava: eu preciso comer caldo de mandioca! Se não acho eu vou comprar as coisas e vou fazer, porque eu não quero mais nada. É desesperador e era uma vontade infindável e eu ia passar mais mal ainda se não comesse. E pra coisa ficar mais trágica(/engraçada hoje) em meu desespero eu comprei cará japonês e só fui ver chegando em casa e o supermercado não era perto da minha casa. Bem que eu achei aquelas “mandiocas” pequenas rsrs.. Por fim, depois de revirar a internet procurando algum lugar que vendesse, quase meia noite, minha mãe se lembrou de uma lanchonete do bairro próximo que vendia e eu finalmente pude comer o caldo. Ufa! Não foi brincadeira, mas graças ao bom Deus não tive mais desejo algum.

Segundo trimestre  

Descobri o tal do limão para melhorar os enjôos àquela altura do campeonato, mas funcionou bem. Viajava com ele na bolsa e precisando estava eu lá cheirando o limão e tomando limonada(foi a bebida da gravidez inteira). Foi ficando mais tranqüilo ao quinto mês, no entanto, eu ficava cada vez mais estressada e por uns 10 dias do sexto mês comecei a chorar muito e por nada, até achei que estava me dando depressão e apelava para as orações sempre. Viajei para a Alemanha pra saber as novidades sobre a retinose pigmentar(o que descobri lá está no ultimo post) de lá, fui para a Albânia fazer um trabalho missionário e informar aquela população também sobre os cuidados com a visão e finalmente um tempinho para descansar com meu marido na Itália. Na verdade cansei mais que descansei porque andar com aquela barriga pesada e com o paladar aguçado, a minha sorte é que eu estava naquela culinária abençoada.

Terceiro trimestre  

Cada vez maior a barriga e o peso, aqui eu já havia engordado 16 kilos. Pedi assistência domiciliar da faculdade pois não estava conseguindo ir a aula e ficar lá assistindo aula, a leitura já estava péssima pra mim, devido ao cansaço das noites mal dormidas e também porque a minha visão piorou com o acelerar do meu metabolismo para gerar o filho. Tinha que sair para comprar as coisas que faltava para o bebê, arrumar as malas maternidade e a do JM, cada dia era uma dor num lugar diferente, era ultrasom, consulta de pré natal, casa e marido para cuidar e ainda tinha que dar conta de mim. A ansiedade estava me matando, tinha noites que eu dormia 3 horas e tinha que aproveitar as manhãs para descansar e dormir um pouco, sem contar que não havia mais posições para eu dormir e eu sabia que a qualquer hora o meu pequenininho poderia despontar. Queria parto normal. Mesmo sabendo da minha escolha, tudo era muito diferente e novo para mim. Que medo eu sentia, eu passava madrugadas orando!!

 O nascimento de parto normal

Como é sabido, o Brasil lidera o ranking de cesarias o que não é bom nem para a mãe e nem para o bebê. Eu decidi então, que queria sofrer a dor do parto para saber como é e para enfrentar a árdua tarefa que Deus nos fez para suportar, sabendo que o máximo que poderia me acontecer seria a episiotomia que é o corte cirúrgico feito no períneo para ajudar na passagem do bebe. Com 38 semanas de gravidez, no dia 19 de julho(domingo e exato um mês atrás) eu acordei com algumas dores abdominais tipo as que eu sentia na pré menstruação, isso era umas 8 da manhã e as dores começaram a vir de 20 em 20 minutos, o tampão mucoso saiu e eu sentindo as dores fui tomar um café leve e um banho porque estava prevendo que o JM viria, mas ao mesmo tempo eu tive tantas dores diferentes durante a gravidez que não sabia se era motivo real para me preocupar. Cheguei ao hospital as 10:30 da manhã e quando fui consultar, a médica me disse que já estava com 5cm de dilatação e que iria me internar para o JM nascer. Eu senti uma emoção tão grande que me deu vontade de chorar. Internei meio dia e ele nasceu as 14:59. Graças a Deus foi muito rápido. Senti as piores dores físicas que poderia sentir na vida, sofri, tomei a anestesia peridural que eu tanto tinha medo e nasceu o meu precioso presente de Deus de parto normal. Ainda estou de resguardo e tomei vários pontos que inclusive inflamou, mas a felicidade de olhar para estes olhinhos que não param de me procurar, paga qualquer dor neste mundo.

A visão

Ao quarto mês de gravidez eu sabia que já tinha perdido 15% da visão totalizando 50% e como estou de resguardo ainda não fiz outro exame para saber as seqüelas da gravidez. Posso afirmar que perdi um tanto quanto considerável porque está bem mais difícil de enxergar as coisas. Penso muito, mas muito, antes de ter outro filho. Quero demais, amo crianças e gostaria de ter três filhos, mas quero vê-los crescer, cuidar de cada um e ter a certeza de que estou fazendo o meu melhor como mãe, não que eu não consiga se perder a visão, mas convenhamos que não é a mesma coisa. Graças a Deus meu filho não apresenta nenhum sintoma da retinose e quando fui aos EUA me disseram que pela minha retinose ser recessiva, a chance do meu filho nascer com este problema era tão mínima que ele diria quase “impossível”. O teste do olhinho foi perfeito. Aos 6 meses farei os primeiros exames oftalmológicos dele. O pediatra me indicou que eu colocasse óculos escuros em meu filho sempre que pudesse a partir dos 3 meses de idade porque cuidar da boa visão dele é melhor do que remediar.

No mais, é isso! Estou extremamente feliz e cansada depois de toda a turbulência dos quase 10 meses e da brutalidade do parto, mas não imaginava quanto amor eu poderia sentir por uma pessoa e amor incondicional. Daria minha vida por esse pequetitinho e a alegria que ele me trás não tem preço e nada explica. Ah! Ganhei 23 quilos e já perdi 13 agora é pegar pesado na dieta e academia assim que a médica liberar. E na faculdade, foi tudo bem, estudei de casa e acabei o meu semestre e me formei agora em julho em Comunicação Social-Jornalismo.

Mulheres grávidas, mães com retinose, mães de filhos com retinose: não se preocupem com o que pode vir a ser. Sei que não é fácil assim, mas digo com toda a certeza que toda a minha ansiedade eu lançava sobre o Senhor Jesus e se tinha alguém que ouvia minhas reclamações, dores, choros e medos era Ele e o melhor Ele fez por mim, por meu filho e minha família. Sejam felizes do jeito que é sua vida, pense que se as coisas podem piorar elas também podem melhorar e nem tudo está perdido, há sempre um caminho, uma forma, um jeito e pessoas que você pode fazer sorrir. Não espere o sorriso das pessoas, sorria para elas porque é assim que você terá o seu bom reflexo.

Beijo no coração de vocês.

Janaina Barcelos.


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